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Você se vê em uma linha tracejada em que é obrigado a preenchê-las. Vamos pôr essa colocação na vida real. É o mundo te obrigando a tentar ser comum. Só que o comum na vida de um ansioso é banal. A rotina muitas vezes nos assusta. Me assusta. É desesperador ser pressionado.Você está presa na sua própria vida, e esta é um grande fardo pra que você carregue, tomar qualquer atitude é impossível, você tem pânico a qualquer situação, então você só quer ficar ali, no seu lugar, até parar de existir. Mas você tem um lugar? Você nem se quer pertence a lugar algum.A sua mente vai te torturar até o último segundo. Eu não tenho ar e estou sufocada na minha própria existência.
Você tem medo do que possa vir e você não quer lembrar o que já passou. Neste momento, tudo é extremamente pesado, nada parece poder te ajudar. É tudo muito confuso e vazio. Eu estou vazia, eu me sinto vazia. Agora você já não faz mais questão de nada. Você está completamente cheia de caos e tudo é uma grande bagunça.
Você é uma confusão. Cada dia é só mais um teatro, eu não sei o que você disse, eu não sei quem são as pessoas que me cerca, eu só fico vagando até que o dia acabe. O ansioso também muitas vezes não consegue falar. Gritar. Mostrar. E o mundo vê isso como bobagem. É sim! É uma bobagem a vontade desesperadora de chorar, é bobagem o medo e o vazio também. É bobagem estar acordada as 4:00 da manhã se rolando na cama e se perguntando o porquê daquilo. A insonia te vence. O escuro te assusta. O amanhecer é agradável. É quando você não pode sentir. É quando você sente muito. Ter ambos é uma guerra constante dentro de sua própria mente. Tenho respirado cada vez mais fundo, exercito e então sigo, para que venha o alívio, e tire esse meu vício, de achar que é meu ofício, carregar a culpa do mundo.

Ansiedade não é só roer unhas ou esperar por uma ligação de quem gosta. 
Ansiedade é um tiro no escuro. É uma camuflagem. As vezes doi até. 

 

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Somente escrevo…

”Escrevo também para saber como foi o seu dia – se você chorou esta manhã, se você acordou um pouco mais tarde do que o costume, ou se, mais cedo, você se martirizou tentando se acalmar e esquecer por um breve momento as confissões e as confusões do seu mundo, como de costume. Escrevo também para saber como foi a sua noite – se você conseguiu dormir e sonhar e me ver, por pouco tempo que seja, nessas imagens pensadas, nessas imagens prensadas e intocáveis, tocadas apenas pela capacidade de sonhar, mas que ao despertarem serão apenas o que são: lembranças sonhadas. Escrevo ainda para saber quais são os seus medos e a quem você assusta, quais são os seus desejos e por quem você se ajoelha, quais são suas verdades e a quem você se permite mentir. E, como se não bastasse, escrevo para saber se você me encaixa no seu tempo, mesmo sabendo que o amor é um temporal atemporal que faz chover e tremer e molhar e, mesmo assim, os esperançosos amantes conseguem enxergar – talvez pela cegueira momentânea das pequenas paixões, talvez pela esperança eterna de um dia acordarem ao lado de um grande amor – um sol quente e amarelo e belo e denso, imenso.”

Conformismo da culpa

A gente gosta de culpar alguém pela nossa tristeza. Mas de fato, fazer isso não vai diminuir a dor e muito menos acabar com ela. O pior é que a gente sabe disso, mas não aceita. Tornamos um vício o ato de colocar essa culpa em uma pessoa, porque assim não precisamos admitir que o culpado somos nós. E a culpa é somente nossa. Porque aquela donzela ou aquele carinha que te deu um fora mês passado, não está trancado em um quarto se remoendo por ter acabado com você. Nem se queixando para os amigos mais íntimos como sente saudades e do quanto sua presença faz falta. Eles certamente estão curtindo a vida e conhecendo outras pessoas e outras bocas e outros corpos e outros copos. Eles não precisam colocar a culpa em ninguém porque a gente torna deles a culpa. E esse é o nosso maior problema. Deixamos nossa felicidade cair no conformismo de que só vamos ficar bem diante de outra pessoa. Que só vamos ser felizes caso nossa história se compare a essas mil outras que encontramos nos livros de romance. Mas a diferença, é que na vida real o nosso grande amor nunca age como nos capítulos finais do livro e não existe o felizes-para-sempre. Aqui, eles traem, mentem e fazem a gente acreditar que realmente somos importantes. Acho que é por esse e outros motivos que insistimos em acreditar que a culpa é sempre deles. Mas não é. E nunca vai ser. O nosso orgulho não deixa a gente se conformar que aqueles que nos magoaram estão ocupados demais aproveitando o tempo, e acaba inventando essa desculpa para nos sentirmos melhor. Temos que mudar isso caso a gente queira ser mudado. E a culpa é só nossa. Por escolhermos apenas o que faz bem aparentemente, á primeira vista e de primeiro momento. A culpa é nossa por nos apegarmos constantemente a alguém que não conhecemos de verdade. Que nunca tocamos a alma e sentimos ser tocados. A culpa é toda nossa por escolhermos sempre a pessoa errada, mesmo sabendo disso, e ainda assim, insistir que ela é a certa.

Amor

Os escritores que me desculpem, mas as palavras me pertencem, declararam a mim seu amor em uma hora oportuna. Ao acaso me chamaram, culposamente clamei aos ventos minhas falhas. Umedeci o travesseiro com a dor dos meus olhos e gritei o nome por quem meu coração sangrava. Criei feridas ao agredir a distância, companhia as tais me fizeram com a prima solidão. Busquei amparo em outras salivas, a lua amaldiçoei três vezes por suas miragens, perdi as contas das estrelas e esqueci meu nome em alguma noite imprudente. Indagaram-me o moço em questão, falei apenas a causa. Insistiram no por que, respondi – Por amor.
O amor tem dessas sabe? dor. Ah e a solidão também. Você nunca vai estar cem por cento com ele. Ele sempre terá alguma coisa em mente para te detonar. Por inteiro ou não, mas sempre terá.
O amor é um sacana, faz você se apaixonar e se entregar por inteiro, e quando ele vê que você está inteiramente em sua teia, ele vai e te quebra. Quebra em pedaços, te estraçalha, dilacera. E você? Ah! Você só aceita. Chora, se incomoda, incomoda sua cama e seu travesseiro com palavras árduas e ébrias, ébrias de tristeza, de dor e de desamparo.
O amor mais uma vez te deixou pra baixo, com o coração cabisbaixo e sem ânimo.
Mas tem a parte boa do amor. É! Tem sim! Qual é, o amor não é tão ruim. Tê dá alegria as vezes, bom, na maior parte do tempo.
Borboletas no estômago? Uma das melhores sensações!
E a vontade de voar? Nem se fale! De viver, de gritar, de sorrir, de se apaixonar todos os dias. De acordar e saber que sempre terá alguém que estará a sua espera, pra te dar aquele beijo na testa e te dizer ‘é, você é minha’, ou de simplesmente te abraçar por dezenas de segundos demonstrando as palavras que não saem.
O amor, ah, o amor! O amor é um sacana.
Então, desgraçadamente, enxerguei a realidade, de que ele não voltaria. Não, por não ter gostado do que viveu ou por não ter visto amor suficiente, mas sim, por nunca ter estado aqui.

Refúgio

Trechos de música apagados, traços sem nexo rabiscados, palavras incompreendidas e esquecidas logo ao lado da mancha escura de tinta azul no papel. Desenhadas no verso da folha, várias tentativas de retratar um rosto perfeito, corações não preenchidos, e riscos que não ganharam forma. Linhas indiscretas e imperfeitas, retas mas traçadas tortas, contendo desabafos tão quietos, tão suaves, que só nas palavras deixaram-se perceber. Memórias quase esquecidas, tecidas pela ternura das frases, dos textos, dos milhões de termos que se pode usar para descrever amor. Os sentimentos mais gritantes, pulsando em cada trecho, em cada palavra sem jeito que ela tentava encaixar. Escrevia como se cada frase completa pudesse aliviar seu coração, como se cada ponto final expulsasse um pouco do amor que sentia. Deixava nas vírgulas e nos acentos, os sentimentos que tanto guardou. Usava as palavras como um refúgio, como se estas pudessem sair do papel e abraçá-la, e dizer que compreendiam, porque de fato essa seria a única possibilidade de alguém compreendê-la.